Sou Kleiton Soares, retratista e pesquisador das histórias que se revelam entre presença, memória e silêncio. Há mais de duas décadas, a fotografia acompanha minha maneira de observar o mundo, aproximando-me de pessoas, lugares e experiências que não se explicam completamente em palavras.
Minha trajetória profissional começou na tecnologia, área na qual construí uma carreira dedicada à gestão, à inovação e à busca por soluções. Mas, enquanto a tecnologia me ensinou a compreender processos e possibilidades, a arte me convidou a olhar para aquilo que escapa às respostas imediatas: os afetos, as ausências, as lembranças e os sentidos que atribuímos à vida.
Acredito que fotografar é mais do que registrar o que está diante da câmera. É um exercício de escuta e presença. É perceber aquilo que permanece nas expressões, nos gestos, nos objetos e nos espaços, mesmo quando o tempo transforma tudo ao redor.
Interessa-me especialmente o retrato como encontro. Não apenas a imagem de alguém, mas o que ela revela sobre identidade, vínculos, pertencimento e memória. Cada pessoa carrega histórias que não cabem em uma única fotografia. Ainda assim, um retrato pode guardar vestígios importantes daquilo que somos, sentimos e desejamos preservar.
Esse olhar também nasce da minha própria história. Experiências de perda, saudade e transformação despertaram em mim perguntas sobre o que permanece quando alguém já não está, sobre como os ambientes guardam marcas de quem os habitou e sobre a maneira como a fotografia pode nos aproximar de lembranças que, muitas vezes, não conseguimos nomear.
Na busca por compreender essas questões com mais profundidade, venho dedicando meus estudos à antropologia da imagem, à filosofia, à psicanálise e às relações entre fotografia, memória e experiência humana. Interessa-me investigar como construímos narrativas sobre nós mesmos, como atribuímos novos sentidos ao passado e como uma imagem pode revelar aspectos que o olhar apressado não percebe.

Esses caminhos dialogam diretamente com meus projetos autorais, especialmente aqueles que exploram a ausência, a permanência e os vínculos afetivos. Neles, a fotografia deixa de ser apenas uma representação visual e se torna um espaço de reflexão, encontro e descoberta.
Acredito que a vida se constrói entre escolhas, encontros e caminhos inesperados. Percorrê-la exige curiosidade para observar, criatividade para imaginar e coragem para descobrir novos significados. É nesse movimento que encontro minha forma de criar: com sensibilidade, escuta e atenção ao que, mesmo em silêncio, continua presente.
Porque, quando a presença se torna memória, a fotografia permanece.
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